N° 04a - 02 de janeiro de 2005
Concedemos entrevista à Revista Época para a reportagem "E no princípio ... o que era mesmo?", publicada na edição 346 de 03/01/2005, assinada pela jornalista Eliane Brum, e cujo conteúdo consideramos tendencioso e inconseqüente em suas postulações. Logo após nossa avaliação, transcrevemos as perguntas que nos foram feitas, bem como a íntegra de nossas respostas, o que lhe permitirá verificar tudo que aqui afirmamos.
A ABPC analisa reportagem publicada pela Revista Época sobre o criacionismo
A Revista Época é, no Brasil, uma das principais revistas semanais de informação; e Eliane Brum uma de suas respeitadas jornalistas. A seu respeito se tem dito que sintetiza dois atributos imprescindíveis ao bom exercício de sua profissão: competência técnica e inteireza moral, e que seus textos são inconfundíveis porque ela costuma tratar da realidade com a complexidade que emerge do próprio real.
Entretanto, em sua última reportagem, discorrendo sobre o tema “criacionismo”, Eliane Brum parece ter resolvido lançar fora esses atributos, desconsiderando as menções honrosas e prêmios jornalísticos que recebeu por reportagens anteriormente publicadas. Seu texto, inegavelmente bem escrito do ponto de vista redacional, está permeado de impropriedades e dados imprecisos quando se trata de definir o pensamento e o ponto de vista criacionista, o que talvez possa ser explicado se considerarmos a possibilidade deste trabalho ter sido ideologicamente encomendado por pessoas ou grupos incomodados com o destaque que o criacionismo vem conquistando nos últimos tempos.
Alegando que os criacionistas usam o sofisma da perseguição, Eliane Brum vai contra uma realidade objetiva que pode ser constatada em praticamente todo o país, porque é fato inconteste que muitos alunos têm sido ridicularizados e até mesmo prejudicados em termos de rendimento escolar quando discordam dos pressupostos evolucionistas ensinados em sala de aula. A ilustre jornalista ficaria surpresa se saísse a campo para uma constatação, porque a fila de alunos e pais de alunos testemunhando esta realidade seria quase interminável. Quanto ao paralelo absurdo por ela traçado entre este fato e particularidades do holocausto judeu, só a perda momentânea da razão e do bom senso talvez explique este momento pouco lúcido do seu texto.
Também não é mistério algum que trabalhos criacionistas não são aceitos para publicação nas páginas das revistas científicas, normalmente controladas por conselhos editoriais de formação evolucionista. Eu mesmo sou prova testemunhal disso, pois enviei, há anos atrás, um trabalho para ser publicado na revista da SBPC e algum tempo depois recebi uma carta do conselho editorial informando que meu trabalho não havia sido aceito para publicação. “Se aceitarmos o seu trabalho” - dizia o signatário da carta - “teremos forçosamente que recusar a maioria dos outros que normalmente chegam às nossas mãos e que não estão alicerçados em uma metodologia científica tão rígida”. Não é isto surpreendente? Eu, porém, fui professor universitário e sei bem a que eles se referiam: algumas áreas do conhecimento humano ainda precisam caminhar na direção do real significado da expressão “prova científica” e, enquanto isso não acontece, metodologias as mais complacentes ganham espaço, obviamente prestando um desserviço à Ciência.
Outro ponto que merece destaque é a menção de que consideramos evolucionistas como inimigos! Diante do absurdo desta afirmação, a impressão que se tem é que os reais objetivos da reportagem vão além da mera caracterização dos criacionistas como anticientíficos, incluindo também mostrá-los com traços de incivilidade, intolerantes e incapazes de conviver com as diferenças que normalmente caracterizam os seres humanos, principalmente as de caráter ideológico. Eliane Brum foi também indelicada quando, referindo-se ao presidente da Sociedade Criacionista Brasileira, surpresa, acrescentou: “que curiosamente foi diretor-científico da Fapesp de 1979 a 1985, fundador da Academia de Ciências de São Paulo e, até o governo passado, representante do MEC na Agência Espacial Brasileira”, como se mérito e qualificação profissional não pudessem ser patrimônio de quem se confessa criacionista.
Referindo-se às lacunas da Ciência, Eliane Brum afirma: “as incertezas, que para os criacionistas não passam de fraquezas, para os cientistas são parte natural do processo”. Assim, fica bem claro que, para ela, “ser criacionista” e “ser cientista” são atividades mutuamente excludentes. Isto, porém, também não faz o menor sentido porque uma simples pesquisa na Internet é suficiente para se perceber que entre os criacionistas há inúmeros cientistas de respeito, amplamente considerados por toda a comunidade científica, e com invejáveis credenciais em suas áreas de especialidade.
Comentando a disposição dos criacionistas de expor o seu ponto de vista sobre as origens em sala de aula, Eliane Brum declara que eles se esquecem “que o evolucionismo é uma teoria científica, e o criacionismo não resiste a uma leitura mais profunda”. Entretanto, pelo menos até onde pesquisamos, não parece haver em sua formação elementos que a autorizem a esta e outras declarações de peso científico que aparecem na reportagem. Se houvesse, ela certamente teria discutido em seu texto alguns pontos específicos que coloquei em pauta quando fui por ela entrevistado. Seria interessante, também, saber que livros de cunho criacionista foram por ela lidos e que lhe permitiram concluir o que ela acima afirma a respeito do criacionismo.
Encerrando esta parte de avaliação da reportagem de Eliane Brum, registramos aqui a inequívoca parcialidade presente em toda a sua extensão. Cinco pessoas foram entrevistadas, sendo dois evolucionistas e três criacionistas. Os dois evolucionistas foram privilegiados com a publicação da íntegra de suas entrevistas, que ocuparam espaço significativo de toda a matéria, incluindo foto e breve apresentação de suas referências profissionais. Os criacionistas foram apenas mencionados no corpo da matéria, ao lado de brevíssimas citações cuidadosamente escolhidas e extraidas de um contexto maior, sempre com o propósito de evidenciar uma suposta irrelevância do criacionismo.
Essa extrema parcialidade no tratamento do tema pela jornalista Eliane Brum fica ainda mais patente com a apresentação que faremos a seguir do conteúdo de sua entrevista. Esta é a sua oportunidade de avaliar todo o processo, examinar as perguntas que nos foram encaminhadas, as respostas fornecidas, de onde praticamente muito pouco foi aproveitado do que poderia se constituir em uma linha construtiva de estudo do criacionismo. Ficará caracterizada, também, a completa falta de conexão entre o antes, quando a jornalista reunia dados para a construção de sua matéria, e o depois, quando finalmente publicou seu texto definitivo.
As perguntas formuladas por Eliane Brum ao Prof. Christiano, presidente da ABPC
Observe como é manifesta a intenção da jornalista de evitar o foco principal do conflito entre criacionistas e evolucionistas, que é a discussão do conteúdo científico ou não de seus argumentos, em favor de uma linha que visa meramente caracterizar o movimento criacionista como religioso, podendo assim rotulá-lo também como anticientífico.
1.- Gostaria que o senhor contasse um pouco sobre as circunstâncias da fundação da Associação Brasileira de Pesquisa da Criação e a sua participação, quais foram os desafios e necessidades que motivaram a criação da ABPC, quantos associados possui, se são todos da mesma Igreja ou não ... Também gostaria de saber sobre a sua formação acadêmica, onde trabalha hoje e qual é a sua formação religiosa.
2.- Do ponto de vista da compreensão das origens, em que a ABPC diverge da Sociedade Criacionista Brasileira?
3.- A ABPC é ligada à Igreja Batista, correto? De que forma se dá essa relação? Por que o senhor se refere a ABPC como "ministério de Deus"?
4.- Por que o senhor diz que o evolucionismo é pseudociência? Nesse sentido, em qual disciplina o senhor acredita que a teoria da evolução deveria ser ensinada? Ou não deveria? E por quê?
5.- O senhor manifestou-se contra o ensino do criacionismo na disciplina de religião da rede pública escolar do Rio de Janeiro. Por quê? Em que circunstâncias e em que disciplina o senhor acredita que o criacionismo deveria ser ensinado?
6.- Em alguns de seus artigos, o senhor fala em "ataque frontal", "inimigo”, “teoria maligna" etc. O senhor acha que o debate entre evolucionismo e criacionismo é uma guerra santa?
7.- Na sua opinião, o evolucionismo é maligno. Por quê? O senhor diria que é uma obra do demônio?
8.- O senhor defende que o mundo e o homem surgiram tal qual está escrito na Bíblia. Sua crença admite a concepção de criação do mundo de outras mitologias e fés (como a dos ianomâmis ou a dos hindus ou mesmo a mitologia greco-romana) ou o senhor acha que a única verdade sobre a criação do mundo é a da Bíblia?
9.- Aparentemente, esse debate entre criacionismo e evolucionismo está mais forte nessa virada de milênio. O senhor concorda? Se concorda, quais são as hipóteses que explicariam esse fenômeno? Se discorda, por favor, explique suas razões.
10.- Por que, na sua opinião, a teoria da evolução se mantém há mais de um século?
11.- Tem aumentado o número de associados da ABPC? Qual é o perfil? Jovens, idosos etc? Como é feita a sua formação para que possam defender e difundir o criacionismo de forma adequada?
12.- O senhor diz que age em nome de Deus? Como tem certeza disso? Quando soube que essa era uma missão?
13.- O senhor sempre foi criacionista ou houve um tempo em que acreditou na teoria da evolução?
14.- Qual é a sua opinião sobre Darwin?
15.- Qual é a sua opinião sobre o Design Inteligente?
16.- O senhor acha que a teoria da evolução está com os dias contados? Há uma previsão para a vitória do criacionismo?
17.- Quais são as metas para 2005?
As respostas que enviamos à jornalista Eliane Brum
Diante da análise que fizemos das perguntas, resolvemos respondê-las de modo mais amplo, e também mais cuidadoso, como uma tentativa de direcionar esse conteúdo para o que apontamos como o foco principal do tema em pauta. Não funcionou. O desfecho final nos leva a crer que os rumos da reportagem já estavam, a priori, traçados.
Prezada Eliane Brum,
Recebi seus questionamentos, e passo a respondê-los. Se me permite, porém, faço antes a observação de que suas questões não estão direcionadas para o foco principal da polêmica sobre as origens entre evolucionistas e criacionistas, que é o caráter científico ou não dos argumentos de ambas as correntes. Evolucionistas insistem em afirmar que a motivação não científica dos criacionistas compromete a natureza científica de sua investigação das origens do universo e da vida, chegando a afirmar que criacionistas são todos ignorantes, como fez o evolucionista Richard Dawkins em entrevista que concedeu à Folha de São Paulo (Mais, 12/12/2004, p. 9). Ressalvada a possibilidade de estar enganado, suas questões sobre as circunstâncias da fundação da ABPC, sobre suas supostas ligações com grupos religiosos, sobre minha formação religiosa parecem não só indicar que a linha mestra de sua pesquisa navega nessa mesma direção, como também evidenciar uma disposição de não abordar o que realmente seria o ponto nevrálgico dessa questão.
Assim, parece-me apropriado fazer algumas colocações a esse respeito, e a primeira delas é que a motivação com que um cientista se lança a um trabalho científico nem sempre é científica e necessariamente não compromete o resultado de sua pesquisa. Sir Isaac Newton, por exemplo, dizia estar apenas descobrindo como Deus havia feito todas as coisas, e isso não comprometeu o resultado de suas investigações, nem o impediu de ser, até hoje, considerado um dos gênios da humanidade. Há cientistas que conduzem experimentos científicos com motivações sociais, e outros até com motivações menos nobres, como a busca do reconhecimento público, e nem por isso tais motivações comprometem o resultado de suas pesquisas, quando bem conduzidas dentro dos padrões da metodologia científica.
Há, entretanto, aqueles que se deixam levar por suas paixões, pelas suas ideologias, e assim contaminam o resultado de suas investigações, com meros equívocos e até mesmo com atos que revelam desonestidade intelectual. Infelizmente para os evolucionistas a história da teoria da evolução está repleta desses casos. Haeckel alterou fraudulentamente as fotos de embriões de várias espécies para que se ajustassem às suas concepções evolucionistas; cientistas, vindos do Velho Mundo, deixando que suas convicções acerca das nossas origens falassem mais alto, atestaram que um dente encontrado no estado de Nebraska, nos Estados Unidos, pertencera ao ancestral do homem quando, na verdade, era apenas um dente de um porco extinto. Esses casos clássicos do passado não são, de modo algum, raros no contexto evolucionista, repetindo-se ainda hoje em diferentes frentes do pensamento evolucionista, e pela mão de experimentados cientistas.
Agora, se cientistas evolucionistas, e a imprensa de hoje que os segue bem de perto, entendem que a postura religiosa ou ideológica de um cientista compromete necessariamente o resultado de sua pesquisa, isto deveria se aplicar também aos adeptos do evolucionismo. Afinal, do ponto de vista lógico e prático, “crer em Deus” tem o mesmo peso de “não crer em Deus”. Por que é, então, que raramente se pergunta a um cientista evolucionista qual a sua confissão religiosa? E quando isso é feito e se obtém uma resposta evidenciando tratar-se de um ateu, por que não se cogita da existência de uma conexão entre essa postura ideológica e sua adesão a uma visão ateísta de nossas origens? Na reportagem acima mencionada, da Folha de São Paulo, quando o entrevistador mencionou o fato de que ele desdenha os valores religiosos, ele disse que mais que os desdenha, que os despreza completamente. Não seria esse, então, um fator preponderante em sua disposição de advogar um modelo ateísta das nossas origens?
Você fala em guerra santa, referindo-se aos criacionistas, mas são os evolucionistas que têm se revelado com espírito de belicosidade. São eles que, via de regra, ridicularizam em sala de aula os alunos que não concordam com suas idéias sobre as origens, muitas vezes até mesmo perseguindo-os academicamente; são os evolucionistas que fazem de tudo para manter os criacionistas afastados do ambiente acadêmico e, mesmo ante uma atitude tão inócua quanto a que recentemente se tomou no Estado do Rio de Janeiro acerca do ensino do criacionismo nas escolas públicas, saem a campo com todas as armas de que dispõem. Nos Estados Unidos, um cientista que se declarar criacionista pode esquecer futuras promoções em sua carreira. Michael Behe, mesmo não sendo criacionista, após a publicação de seu livro “A Caixa Preta de Darwin”, onde ele fez severas críticas à teoria da evolução, é hoje considerado um cientista de segunda categoria. Forrest Mims, um jornalista científico que, durante toda a sua carreira, escreveu brilhantes e laureadas reportagens científicas, publicadas pelas melhores revistas científicas do mundo, incluindo a Scientific American, hoje, após ter se confessado criacionista, encontra grande dificuldade para ter seus artigos publicados. Será que já deu para perceber que sua insinuação de “guerra santa” deveria ter sido dirigida para o outro lado?
Assim, em função de tudo que foi dito até agora, nós criacionistas não temos o menor problema de falar a respeito das motivações que nos levam a investigar a questão das origens, mas é preciso antes esclarecer que a acusação a nós dirigida pelos evolucionistas, de que fazemos ciência a partir do texto bíblico, não é absolutamente verdadeira. É verdade que nos pusemos a investigar a questão das origens porque cremos que o que está escrito nas primeiras páginas do livro de Gênesis é a verdade a respeito das origens do universo e da vida, mas não teria o menor sentido conduzir tal investigação a partir desse texto. O que fazemos é exatamente o oposto: investigamos a natureza para verificar se o que cremos representa a verdade objetiva acerca das nossas origens.
Considerando-se tudo que aqui foi dito, fica claro que a maior parte das perguntas enviadas perde o seu peso, razão pela qual serão respondidas de modo sucinto. Sou pós-graduado em Ciências pela Universidade de Londres, professor universitário, mas hoje dedico tempo integral à ABPC, tendo sido um de seus fundadores em julho de 1979. Sendo de uma família batista e aceitando, portanto, os pressupostos bíblicos acerca de nossas origens, recebi com estranheza os ensinamentos da escola acerca da teoria da evolução. Durante anos estive em busca de uma solução para este conflito, o que só aconteceu quando encontrei o movimento criacionista, na época em que residia em Londres.
A ABPC não possui vínculo com qualquer igreja ou denominação evangélica, sendo uma organização que tem seu rol de membros aberto a qualquer pessoa que se confesse criacionista, independente de sua convicção religiosa, mas abrigamos também não criacionistas que desejam estar conosco para examinar nossos pontos de vista, e consideramos a Sociedade Criacionista Brasileira uma entidade congênere. A razão pela qual muitas vezes utilizamos o termo “ministério” em relação ao trabalho que realizamos é porque entendemos que o Criador é o principal interessado nesse trabalho, e que estamos a seu serviço. É claro que este é um ponto de fé, mas voltamos a insistir que necessariamente isso não compromete a natureza científica dos nossos argumentos criacionistas.
Quanto à nossa afirmação de que o evolucionismo é pseudociência, vamos nos restringir a apenas um exemplo, mas se nos dispusermos a citar todos os casos conhecidos compêndios inteiros poderão ser escritos. O genoma humano começou a ser investigado em 1990 e levou 13 anos para esse trabalho ser concluído, envolvendo centenas de cientistas em várias partes do mundo e muitos bilhões de dólares. Se o genoma do chimpanzé ainda hoje não foi investigado, como é que desde 1999 se afirma (NewScientist, 15/05/1999, n° 2186, pp. 26-30) que a diferença entre esses dois genomas é de apenas 1% ou 2%? Será que é científico divulgar o resultado de uma pesquisa que ainda não foi feita como tendo sido feita, só porque evolucionistas pensam que isso favorece sua teoria? Ou isso é pseudociência?
Nós, criacionistas, somos democráticos e, por isso, não é nosso objetivo banir a teoria da evolução de sala de aula. São os evolucionistas que radicalizam essa questão e não permitem que adentremos o ambiente acadêmico, sob a pressuposição de que só eles detêm a verdade a esse respeito. O que pretendemos é que o criacionismo também tenha seu espaço nesta mesma sala de aula. Sendo ambas cosmovisões que não podem ser comprovadas cientificamente, então que ambas sejam ensinadas e que cada aluno reflita sobre essa questão, pese os argumentos de ambos os lados, e decida o que faz mais sentido para si mesmo, aquilo que ele irá considerar como a explicação verdadeira das nossas origens. Agora, o local de estudo de ambas as correntes tem que ser a sala de aula de ciências, e é por isso que nos opusemos ao que está sendo feito no Rio de Janeiro, onde se pretende estudar o criacionismo apenas como informação religiosa.
À medida que nos aproximamos do final da seqüência de perguntas vemos que muitas delas ficam prejudicadas por já terem sido respondidas antes. Entretanto, com respeito à malignidade que muitas vezes atribuímos à teoria da evolução, ela decorre do fato de que só a verdade é benigna, e que toda falsidade tem sempre conseqüências funestas. Não vamos nos estender nessa questão, mas há uma série de aplicações da teoria da evolução que resultaram em verdadeiros flagelos para a humanidade.
Contudo, apesar de falsa a teoria da evolução tem se mantido em cena por mais de um século. Isto se explica facilmente: os criacionistas da época de Darwin eram criacionistas apenas por força de suas convicções religiosas, e assim foi fácil para os evolucionistas assumirem o controle de todas as instituições acadêmicas. Hoje, eles dominam as principais posições acadêmicas e governamentais relacionadas com a educação, não permitindo que criacionistas se manifestem. Eles também dominam as editorias das revistas científicas, não permitindo que criacionistas publiquem ali os seus trabalhos, e toda a imprensa secular os segue, dando cobertura para a posição evolucionista junto ao grande público, não raro ridicularizando os criacionistas.
Quanto tempo isso vai durar? Esta é uma pergunta cuja resposta ninguém sabe, mas os tempos estão mudando. Já disse alguém que é possível enganar a poucas pessoas por muito tempo, e a muitas por pouco tempo, mas enganar a todas por todo o tempo é impossível. O movimento criacionista é relativamente jovem, mas já tem produzido frutos bastante significativos. Somam-se às centenas hoje os cientistas que, após refletirem sobre essa questão, têm abandonado suas convicções evolucionistas para integrar as fileiras criacionistas. Veja o que disse H. S. Lipson, evolucionista, condecorado com o título de “Fellow of Royal Society”, concedido somente a brilhantes cientistas: “Penso que precisamos ir mais adiante do que temos ido e admitir que a única explicação aceitável é a criação. Sei que isto é um anátema para os físicos e, sem dúvida, o é para mim também, mas não devemos rejeitar uma teoria que não apreciamos se a evidência experimental a apóia”. A ênfase foi acrescentada por nós para caracterizar o fato de que Lipson não é criacionista.
Para terminar, comento as questões sobre Darwin e sobre o Design Inteligente:
Quando jovem, Darwin tentou fazer o curso de Medicina, mas não foi bem sucedido em seu intento, e acabou formando-se mesmo em teologia. Seis meses após sua formatura, ele aceitou o cargo de naturalista a bordo do Beagle, onde passou cinco anos visitando várias regiões ao redor do mundo, tendo estado inclusive no Brasil. Seu livro sobre a origem das espécies é o resultado de suas observações durante essa viagem. Sobre suas idéias, e sobre o que foi feito delas pelos que vieram depois, Darwin disse, bastante constrangido, e numa atitude impressionantemente científica, que ele havia apenas proposto uma teoria para explicar a origem das espécies, teoria esta que foi abraçada como se fosse religião pelos que vieram depois dele.
Quanto ao Design Inteligente, em uma entrevista à revista Eclésia (Ano 9, Edição 105, pp. 10-11) disse que: “Alguns evolucionistas dizem que design inteligente é o novo nome do criacionismo: não poderiam estar mais errados. É bem verdade que o criacionismo vê, nos ”designs“ que caracterizam os seres vivos, evidências significativas da criação. Entretanto, as semelhanças entre o criacionismo e o movimento que hoje leva o nome de "design inteligente" parecem começar e terminar exatamente nesse ponto. Adeptos desse movimento não trabalham, nem consideram, outras questões que flagrantemente denunciam a falácia de que consiste o pensamento evolucionista, restringindo-se somente a questões relativas ao "design", isto é, ao conjunto de características dos seres vivos que nos transmitem a sensação de que são fruto de um projeto inteligente. Eles também entendem que a presença desse "design" (projeto) não implica, necessariamente, na existência de um "designer" (projetista), de modo que a figura do Criador está fora desse contexto, o que, por certo, não acontece no criacionismo. No Brasil, o Núcleo Brasileiro de Design Inteligente é coordenado por Enézio E. de Almeida Filho, que escreveu um artigo em ComCiência, uma revista eletrônica de jornalismo científico da SBPC, edição 30/07/2004, cujo título é: "A Teoria do Design Inteligente não é criacionismo". Também, em comunicação a mim dirigida, ele disse: "Não somos criacionistas, mas entendemos que o DI, assim como o Big Bang, tem implicações teológicas. Em nosso meio temos até um agnóstico. Um ateu será mais do que bem-vindo".”
Creio que, à imprensa, cabe mais esclarecer a opinião pública, do que tomar partido nessa polêmica. É nossa expectativa, e aqui fica nossa solicitação, que a reportagem que Època irá publicar dê conhecimento ao seu leitor a respeito do nosso site de conteúdo científico, localizado em http://www.impacto.org.br. Paralelamente, entendemos que Época deveria citar também alguns sites evolucionistas, deixando o leitor aparelhado para ir, por si mesmo, em busca de uma solução para o enigma das origens do universo e da vida.
Atenciosamente
Prof. Christiano P. da Silva Neto
Presidente da ABPC
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