Pietro Bergamo
Sinceramente, acho que toda essa polêmica é mais um jeito dos polemistas ganharem destaque do que algo realmente sério. Quanto ao Dawkins, ele parece estar se dando muito bem com isso, mas não me sinto muito inclinado a ler seu livro. Não vejo nenhum grande mérito em refutar as "provas" de São Tomás ou de Santo Anselmo, já que as contradições e pressupostos ocultos nos textos já foram amplamente estudadas na história da filosofia, até o ponto em que Kant afirmou ser impossível a metafísica como ciência. Ou seja, religião não é assunto para a razão.
De dentro de meus limitados conhecimentos filosóficos, acho essa disputa entre ciência e religião uma baboseira, mais ou menos como ficar brigando porque feijão é mais comida que goiabada. Por mais que a ciência tente, não será capaz jamais de refutar com argumentos empíricos e probabilísticos a "existência" de Deus, pois Ele, se "existir", está além disso. O relativo não pode negar o absoluto, mesmo que ele não "exista". Isso, porém, não torna a ciência inútil, pois é através dela que aprendemos a lidar com o mundo empírico em todos os níveis, desde o físico até o psicológico. Aliás, é a utilidade que pauta a maior parte da ciência.
É preciso tomar o cuidado de analisar o que qualquer um dos lados toma como base de sua argumentação, e se essa base é realmente sólida. Crer que a ciência possa revelar verdades me parece contraditório. Acho que poderíamos ganhar muito se estivéssemos abertos a ver a beleza tanto da ciência como da religião.
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