Não é bem assim...
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Muitas adaptações veiculam versões incorretas sobre as teorias científicas e as idéias de seus criadores. Um grande centro de ensino de cabala, por exemplo, afirma em seu site que Sigmund Freud (1865-1939) foi 'uma das grandes mentes que estudaram essa sabedoria'. O pai da psicanálise, porém, é um dos mais famosos exemplos de pensador ateísta da história. 'Freud não sofreu influência do pensamento cabalista', explica a psicanalista Marialzira Perestrello, autora de 'A Formação Cultural de Freud'. 'Ele até lamentava não saber hebraico para conhecer melhor o judaísmo.'
Há quem se aproxime mais diretamente da ciência. Autores de formação religiosa citam bastante as dimensões extras sugeridas pelas teorias de cordas como exemplo de uma possível realidade espiritual. Alguns dizem que seus criadores tinham idéias metafísicas. Mas a origem dessas teorias são os estudos de física de partículas. E os teóricos dizem que as dimensões extras, se existem, são físicas também.
Outros preferem evocar a física quântica, criada para descrever o funcionamento do mundo subatômico, e usá-la para analisar objetos muito maiores, como o corpo humano. O argumento é que uma vez que esses objetos maiores (chamados macroscópicos) são feitos de partículas, deve ser necessário recorrer também aos fenômenos quânticos para compreendê-los.
Maria Cristina Abdalla, que é professora de mecânica quântica na Unesp, contesta. 'As leis que regem as partículas subatômicas não são as mesmas que regem o mundo macroscópico', diz. Ela explica que há sim fenômenos macroscópicos de origem quântica, como o laser. Para que eles ocorram, porém, é preciso que as partículas apresentem um comportamento ordenado conhecido como coerência. Sem isso, os efeitos não se manifestam. É por isso que os cientistas usam a física newtoniana para estudar objetos grandes. 'Nos corpos macroscópicos os efeitos quânticos são muito suprimidos. Os elétrons podem atravessar barreiras de energia, mas nós, feitos de elétrons, não podemos atravessar paredes', explica Marcelo Gleiser.
Outra confusão comum é pensar que o físico dinamarquês Niels Bohr tenha se inspirado no pensamento chinês para formular a mecânica quântica. 'Ele só se aproximou dessas idéias quando ficou mais velho e a teoria quântica já estava pronta', diz Maria Cristina.

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